Formas Farmacêuticas

Formas Farmacêuticas



Os medicamentos apresentam-se sob diversas formas, a que chamaremos formas farmacêuticas. Estas são o resultado das várias operações a que se submetem as substâncias medicamentosas a fim de facilitar a sua posologia, administração, mascarar os caracteres organolépticos e assegurar a ação desejada. As formas farmacêuticas são muitas vezes também designadas por formas galénicas ou formas medicamentosas. Há diversos tipos de formas farmacêuticas, como os pós, os comprimidos, os xaropes, as pomadas, os supositórios, os óvulos, os colírios, etc., podendo, conforme, a conveniência, uma mesma substância medicamentosa ser dispensada sob uma ou outra destas formas. A penicilina G constitui exemplo de um produto que poderá ser utilizado sob a forma de pó, de solução aquosa, de xarope, de cápsulas, de comprimidos, de pomadas, de supositórios, de injectável, de óvulos, etc. Estas diferentes formas de apresentação constituem as formas farmacêuticas e cada uma delas, individualmente, corresponde a uma fórmula ou medicamento contendo penicilina. Como se compreende, haverá numerosíssimas fórmulas apresentadas sob a mesma forma galénica, já que o conceito de fórmula depende unicamente do critério qualitativo e quantitativo que preside à sua elaboração.

Fonte: Tecnologia Farmacêutica I Volume ( L.Nogueira Prista, A. Correia Alves, Rui Morgado, J. Sousa Lobo) 

Hóstias ou cápsulas amiláceas


Hóstias ou cápsulas amiláceas

Esta forma farmacêutica, cuja designação corrente entre nós é de hóstias (do latim oblatum), é constituída por duas cúpulas de pão ázimo, de forma redonda, bicôncavas na parte central e planas nos bordos, no interior das quais se acondicionam medicamentos sólidos pulverulentos.
Tudo leva a crer que as hóstias tiveram a sua origem num preparado de sulfato de quinina que se introduzia entre duas rodelas de farinha cozida e era conhecido por « rémede du curé de Pérols». Em 1853, Guillermond apresentou à Sociedade Médica de Lião uma forma farmacêutica semelhante à anterior, a qual era constituída por duas rodelas de pão ázimo, entre as quais se encontravam pílulas esmagadas. A esta preparação deu o autor o nome de énazimes.
Foi em 1872 que Limousin, com a colaboração de Toiray, construiu um aparelho que permitia obter as hóstias tal como se utilizaram até há duas ou três décadas. Quatro anos mais tarde, Digne aperfeiçoou o método de preparação proposto por Limousin, o que veio permitir a enorme difusão desta forma farmacêutica.
As hóstias, que tiveram um largo emprego durante mais de 50 anos, têm sido relegadas para segundo plano e ao longo dos anos, foram substituídas por outras formas farmacêuticas que sobre elas apresentam a vantagem de um maior rendimento de produção e melhor conservação.
Em França esta forma galénica é designada por cachets, nome que também se tem divulgado em países de língua anglo-saxónica. Na América é também corrente ter a designação de Konseals.